segunda-feira, 25 de abril de 2011

Meu Caro Amigo




Chico Buarque

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui no Brejo é só corrupção
Tem muito desmando e embromação
Uns dias chove, noutros dias bate solão

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui no Brejo é só corrupção
Tem muito desmando e embromação

Uns dias chove, noutros dias bate solão


Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar

A par de tudo que se passa

Aqui no Brejo é só corrupção
Tem muito desmando e embromação
Uns dias chove, noutros dias bate solão 
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação

E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco


Aqui no Brejo é só corrupção
Tem muito desmando e embromação
Uns dias chove, noutros dias bate solão

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Miriam manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na mulher e nas crianças
O Dias aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal

Adeus.


P.S. Chico perdoe por ter feito pequenas mudanças no seu poema, foi só para encaixar melhor.

Lazarus Onipresente


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