sábado, 1 de janeiro de 2011

Mulheres no poder: 192 países, apenas nove mulheres presidentes


 

Apesar de serem 192 os Estados com assento nas Nações Unidas e a maioria serem repúblicas, o ano 2011 começa com apenas nove mulheres, por todo o mundo, no posto de presidente da república. Em percentagem: 4,6 por cento de mulheres na constelação global de presidentes.

O total de nove mulheres no cargo presidente da república é atingido precisamente neste 1º de Janeiro, com a posse de Dilma Rouseff, no Brasil. Os outros oito países que têm uma mulher na presidência são: a Libéria (Ellen Sirleaf que, em 2005, se tornou a primeira mulher eleita presidente de um país africano), a Finlândia (Tarja Halonen, eleita em 2006), a Argentina (Cristina Kirchner, desde 2007), a Índia (Pratibha Patil, também desde 2007), a Irlanda (Mary McAleese, eleita em 1997 e reeleita em 2004), a Lituânia (Dalia Grybauskaite, em funções desde 2009), a Costa Rica (Laura Chinchila, eleita em 2010) e a Suiça, onde a presidência da Confederação é renovada todos os anos e, neste 1 de Janeiro de 2011, a socialista Micheline Calmy-Rey sucede a Doris Leuthard.
Em 2010 cessaram funções presidenciais outras duas mulheres: Maria Glória Arroyo, nas Filipinas, e Michelle Bachelet, no Chile.

Tudo começa com Isabelita Perón, em 1974

A história de mulheres no cargo de presidente da República é recente, começa em 1974, na Argentina, com Maria Estela Perón, que o povo conhecia como Isabelita, a suceder ao marido, Juan Domingo Perón que, para o terceiro mandato presidencial a tinha colocado como vice. Perón morreu em 1 de Junho de 1974 e Isabelita assumiu o cargo nesse mesmo dia. Veio a ser derrubada por um golpe militar, em 1976. Maria Estela ou Isabelita Perón foi, assim, não só a primeira mulher a chegar ao posto de presidente da república mas, também, a primeira a ser derrubada por um golpe militar.

Em 1979, ainda na América Latina, uma outra mulher, Lidia Tejada, chegou à presidência da Bolívia, designada pelo presidente do parlamento, na sequência de uma fracassada tentativa de golpe de estado. Foi empossada com a missão de garantir a realização de eleições mas foi derrubada oito meses depois, num golpe de estado que afastou a ideia de voto popular.

Só em 1980 aconteceu, pela primeira vez, uma mulher chegar à presidência da república através de eleições: Vigdis Finnbogadottir, na Finlândia. Esta professora universitária, directora de uma companhia de teatro em Reiquejavique permaneceu 16 anos na presidência islandesa. Ainda detém o recorde de longevidade na chefia de estado entre estadistas não monarcas.
A república de Malta foi o segundo país europeu a colocar uma mulher na presidência: Agatha Barbara, que em 1982, eleita pelos deputados, iniciou um mandato de cinco anos.

Ainda nos anos 80, a Guiné Bissau foi o sexto país (depois da Argentina, Bolívia, Islândia, San Marino e Malta) a ter uma mulher na presidência da república: Carmen Pereira. Apenas por três dias, entre 14 e 16 de Março de 1984. Carmen Pereira era presidente do parlamento e foi chamada para assegurar uma transição política no tempo de Nino Vieira.
Em 1986, Corazon Aquino, Cory, foi eleita presidente das Filipinas. Era viúva de Benigno Aquino, o herói da resistência à ditadura de Ferdinando Marcos. Depois do assassinato do marido, em 1993, no aeroporto de Manila, Cory assumiu a liderança da luta pela democracia e, com o lema “o poder ao povo”, bateu Marcos nas eleições de 86. Corazon Aquino foi a primeira mulher na presidência de um país da Ásia.

Em 1990, foi Violeta Chamorro, na Nicarágua. Tal como aconteceu com Cory, Violeta saltou para a arena política depois do assassinato do marido, Joaquim Chamorro, editor de um jornal de oposição ao então regime sandinista no poder. Foi a terceira mulher no mundo (depois da finlandesa Vigdis e da filipina Cory) a ser eleita por voto directo do povo para o cargo de presidente da república. Outras mulheres no posto de presidente da república: ainda em 1990, os irlandeses escolheram Mary Robinson, e entregaram a sucessão, em 1997, a uma outra mulher, Mary McAleese. Também em 1990, a Letónia votou Vaira Vike-Freiberga, uma académica que se tinha exilado no Canadá para fugir à ocupação pelo exército soviético, e que regressou à pátria com o estilhaçar da URSS para logo ser eleita presidente. Outro país báltico, a Lituânia, em 2009, votou Dalia Grybauskaite para sua presidente.

Em 2006, o Chile escolheu uma mulher que tinha sido presa e torturada no regime de Pinochet,Michelle Bachelet. Em 2007, a Argentina votou Cristina Kirchner, para suceder ao marido, Nestor, na presidência – segunda mulher na presidência da Argentina, a primeira votada pelo povo.
A mais vasta democracia no mundo, a República da Índia, decidiu, em 2007, entregar a presidência a uma mulher, Ptratibha Patil, uma fidelíssima da dinastia Nehru-Gandhi. Os indianos já antes, em 1966, tinham confiado o poder a uma outra mulher, Indira Gandhi.
Por Franscisco Sena Santos

Um comentário:

Victor disse...

Interessante a reportagem! Uma dúvida, "Vigdis" Assumiu o governo em que país, Finlândia ou islândia?Na "Nicaragua", o Cõnjuge que sucedeu o governo "Violeta", continuou com a mesma linha de pensamento de seu antecessor falecido, se opondo ao grupo de Augusto César Sandino( sendeiro luminoso)?